13 de mar de 2012

Meu sofá, minhas viagens, meu mundo: Como o Couch Surfing mudou minha vida.

Eternos Sérgio e Leu,
Thaix, a chilena!
[English Version Below]


Sempre gostei de viajar. Se isso passa de pai para filho, posso simplesmente dizer que essa paixão existe em mim desde sempre. Meu pai é do Maranhão e morou em tudo quanto é canto. O meio de transporte que ele usava, era o que transitava pelas estradas desse Brasilzão.
E quando a gente nasceu – sim, tenho mais dois irmãos – a saga continuou. Quando crianças, Chegamos a ir para o Maranhão de carro, partindo de Vitória (aproximadamente 2.500KM). Apenas uma de nossas viagens.
Vadim e Carol
Apesar de eu ser a que sempre passava mal, muito me agradava as paisagens interioranas de nosso país, ao atravessá-las de carro, sentindo o vento no rosto e tocando naquele cansado toca-fitas um Raça Negra, ou uma Maria Bethânia. E eu amava.
Eu e Anush!
O tempo foi passando, e eu não sei por que cargas d’agua nossos tempos de viagem também ficaram para trás. Mas essa sementinha bem plantada jamais deixou de existir. Aquela vontade de sair, conhecer o mundo, continuava em mim. Mas o engraçado que não era apenas para tirar fotos bonitas em monumentos. Eu queria ver como era tudo lá fora. E, quem me conhece sabe, sempre fui muito crítica. Cansei de ouvir os estereótipos.
Búzios com surfers de Vitória
Porém, eu sempre trabalhei e estudei. Quando me formei, trabalhei mais. E quando trabalhei mais, passei novamente na Federal para estudar mais. E sempre fui feliz, muito feliz, em cada uma dessas coisas. Só que, tudo isso era também uma obrigação. Um belo dia, há uns dois anos atrás, um amigo da internet – que encontrarei pela primeira vez em Londres ao vivo!! – me disse que pelo o meu jeito, eu ia gostar muito de conhecer um tal de um site chamado Couch Surfing. Sim, isso mesmo, surfando no sofá. 
CS Summer Camp 2010
Entrei no tal site, e era como uma rede social qualquer: faça seu perfil, entre nas comunidades, interaja com as pessoas, conheça gente do mundo todo e... as hospede em sua casa! Achei aquilo simplesmente fantástico. Comecei a entender como tudo funcionava: eu tinha meu perfil, ele precisava ser bom: preenchido, com fotos, com minhas informações e tudo mais. Eu poderia adicionar amigos e esses amigos poderiam me dar referências: positivas, negativas, neutras. E aí eu poderia escolher qualquer lugar do mundo para poder “surfar”, que sim, alí habitaria um couchsurfer (como carinhosamente nos chamamos). Com esse bom perfil, ele poderia ter a confiança de me receber em sua casa – de graça. E eu disse “meu Deus, isso é o máximo! Por que não?”
Entrei de cabeça no projeto. Mas eu mal sabia que iria acabar, digamos, que viciada em Couch Surfing! Ajudei a promover a comunidade local. Conheci as pessoas da minha região que também faziam parte. Comecei a hospedar (mesmo que o site não te obrigue a fazer isso para ser um membro) e aí sim, as experiências começaram a ser profundas e para a vida inteira.
Youssef e eu!
Lapa: Amanhecendo após festa
de 3 milhões de membros
Fiz amigos em todo o mundo, e são vários desses que visitarei na Europa antes de ir para Índia. E na Índia? Lá está meu amigo Anush, que me receberá em sua cidade quando passar por lá. E assim viajarei por todos esses lugares sem custo de hospedagem. Mas o mais importante não é o custo. Ficar na casa de alguém da região é uma experiência totalmente diferente. Você vive o lugar como um “nativo”. Somente alguém que mora naquele lugar vai te levar naquela portinha que vende a melhor comidinha, ou vai te mostrar qual lugar tem a melhor vista secreta.
Enquanto hospedei meus amigos couchsurfers – que com orgulho digo que por aqui já passaram os 5 continentes – eu os levei nos lugares que mais amo da minha região. E acabei experimentando coisas maravilhosas, que nunca descobriria que existiam, se não fosse eles estarem aqui. Como por exemplo, a maravilhosa sardinha frita recém pescada, na peixaria da Praia do Canto, em Vitória.
Presente das hóspedes argentinas e
chilena.
E as pessoas sempre me falam: “ah! Mas eu não posso hospedar!”, e eu sempre respondo que tive ótimas experiências também com gente que outras pessoas estavam hospedando. O Couch Surfing também é maravilhoso pois você pode simplesmente aproveitar conforme o que você pode oferecer. Você tem tempo? Passeia com a galera! Pode receber gente na sua casa? Hospeda! Não pode? Ainda assim, você pode ser hospedado!
Festa de recepção do
Encontro Sudeste
Gosto da definição que li certa vez, de que o perfil do Couch Sufing é como um currículo. A pessoa a quem você pede o sofá, analisará se você se enquadra nos requisitos dela ou não. Você não é obrigado a receber ninguém só por que está cadastrado. Você recebe, pois se identifica com quem tá vindo pra sua casa.
Hóspedes, amigos e amores.
E depois disso tudo, de me envolver ao ponto de virar moderadora da comunidade da minha região, virar embaixadora (um tipo de voluntário oficial de referência), fazer milhares de eventos e fazer com que o CS (abreviatura para Couch Surfing) fosse parte do meu dia-a-dia, esse projeto mudou a minha vida.
Eu e Thi: amizade de ouro que o CS
me deu para todo sempre!
E pra muito melhor. Mesmo sem poder viajar por conta do trabalho, participei das viagens de quem eu recebi. E cada pessoa que passou pela minha vida durante esse tempo, transformou uma parte para melhor. E foi assim que conheci o CS: um meio de fazer um mundo melhor, um sofá de cada vez. Pois em cada momento que ouvia algo novo de uma cultura diferente, podia entendê-la melhor. Não de uma forma que eu perdesse a minha identidade ou quisesse que o mundo fosse igual a mim - não é, e nunca será. Mas uma forma de aprender a entender, e melhorar a convivência entre as pessoas do mundo.

Certa vez, conversando com um co-fundador do CS, ele me perguntou algo que ecoa na minha mente até hoje: “Ok, Tainara, somos grandes, conseguimos conectar pessoas do mundo todo. Existem eventos como esse aqui e muitos outros. Mas o que vem depois disso?” (nessa ocasião estávamos em um encontro semanal da Grande Vitória).


E é exatamente isso que tenho buscado. Como usar um projeto tão maravilhoso de uma maneira em que possamos fazer diferença no mundo.
Encontro para novos membros
CS VIX 2012
Acredito profundamente que nós já fazemos essa diferença. Nosso turismo não é interesseiro, não é explorador. Eu abro a minha porta, ofereço a minha casa pra te mostrar quem eu sou, de onde sou. E você abre a sua.
Não que o mundo do CS seja sempre as mil maravilhas. Mas com certeza o CS é uma das mil. E entre as melhores, é claro.
Tenho certeza que os meus dois últimos anos jamais seriam os mesmos se não tivesse o Couch Surfing. E muito provavelmente não estaria aqui, escrevendo para vocês sobre essa viagem.
Quando me perguntam como montei meu roteiro, eu sempre respondo: pela “gente”. Pela gente que eu conheci, que eu vou conhecer. Se amar um lugar da Índia e tiver pessoas que me façam ficar, não me importa abrir mão e não tirar uma foto no Taj Mahal. Quem eu vou levar daquele lugar é “quem”, e não “o que”. E posso dizer que esse desejo, é tudo culpa do Couch Surfing... Com essa mania de querer fazer a gente ser contaminado pela energia e alegria de todos os cidadãos desse querido mundo...



Ainda tem dúvidas?
Só mandar um comentário e a gente esclarece! O que é o Couch Surfing, como cadastrar, hospedar, ser hospedado, participar das comunidades e dos eventos.


[English version]


My Couch, my trips, my world: How Couch Surfing changed my life


I always liked to travel. If it’s from father to son, I can simply say that this passion always existed inside of me. My father is from Maranhão (a state in northeast of Brazil) and lived in a lot of places. The transportation used by him to go back to his land used to be the road.
And when we were born – yes, I have a brother and a sister – the saga continued. When we were kids, we traveled from Vitória to Maranhão by car (about 1.553 miles). Only one of our trips.
Even if I was always the one who was sick, the country views of Brazil used to please me, when we crossed by car, feeling the wind on my face and playing on the cassette “Raça Negra”, or “Maria Bethania”. I loved.
The time passed by, and I don’t know why our trip times passed by too. But this little seed planted never died. The same will of going out to see the world was inside me. The funny thing is that was not only to take beautiful pictures in great monuments. I wanted to see how everything outside was. And, who knows me can say, I’ve always been a critical person. I was tired about listening stereotypes.
But I always worked and studied. When I graduated, I worked more. And when I worked more, I passed on the Federal University again to study more. And I was very happy in each thing. But everything was an obligation. One day, two years ago, an internet friend – that I’m going to meet in London first time live – said that I would like a website called Couch Surfing. Yes, that’s it, surfing on a couch.
I entered in that site, and it was like all social networks: do your profile, enter in to the communities, interact with people, know people from all parts of the world and… host them at your place! I found it amazing. I started to understand how everything works: I have a profile, and it should be good: filled, with photos, with my personal information and all. I can add friends and these friends can give me references positives, negatives, neutrals. And then I can choose whatever place in the world to “surf”, that, yes, there I can find a couchsurfer (how we call each other) living. With this good profile, he can trust me and open his door for me – free of charge. And I said: “Oh my God, that’s awesome! Why not?”
I decided to dive right in. But I hardly knew that in the end I would be addicted to Couch Surfing! I helped to promote the local community. I knew the couchsurfers from my region. I started to host (even the website not requires it to be a member) and then, the experiences started to be deep and for a whole life.
I made friends from all world, and a lot of them I’m going to visit in Europe before go to India. And in India? My friend Anush is there, and will receive me in his city when I pass there. That’s the way I’m going to travel for all these places without paying for accommodation. But the most important is not the money you save. Stay in a house of someone who lives there it’s a totally different experience. You will live the place like a “native”. Only someone that lives at that place will take you to that little shop with the best food, or will show you the secret best view.
While I hosted my friends couchsurfers – I’m proud to say, from the 5 continets – I took them to the places I love most in my region. And in the end I tried wonderful things, things I would never discover without them here. For example, the wonderful fresh fried sardine at Praia do Canto fish market, in Vitória.
And people always say to me they can't host. My answer: I had amazing experiences with people someone else was hosting. Couch Surfing is wonderful because you can simply enjoy with what you can offer. Do you have time? You can take the guests to some good place! Can host at your place? Host! Can’t host? You still can be hosted!
I like the definition I saw some time ago, that the Couch Surfing profile is like a curriculum. The person you ask the couch will analyze if you have the skill to stay with her, or not. You don’t have to host everybody who asks you just because you are able to. Just receive when you identify yourself with who is coming to your place.
And after all, I was so involved, I became the moderator of Grande Vitória community and ambassador (a kind of volunteer that is a reference), I did a lot of events and CS (how we abbreviate) became part of my days, and this project changed my life.
And it was to better. Even I couldn’t travel because of my job, I joined my guests trips. And every person that passed through my life during this time, transformed some piece to better. That was the way I met Couch Surfing: a way to do a better world one couch at once. Because every moment I listened something new or something from a different culture, I could understand it better. Not in a way that I lost my identity or I wanted the world thinking the way I think – it will never be. But a way to learn how to understand, and improve people relationship in the world.
Once, talking with one of Couch Surfing co-founders, he asked me something that I think until today: “Ok, Tainara, we are big, we can connect people around the world. There are events like this and many others. But, what comes next?” (In this occasion we were in a CS Vix Weekly Meeting).
But that’s the exactly thing what I’ve been looking for. How to use so fantastic project a way we can do a difference in the world.
I deeply believe we are already doing this difference. Our tourism is not selfish, even profiteer. I open my door, offer my house to show who I am, where I’m from. And you open yours.
The CS world is not always a perfect thing, but someway one of the best things of the world.
I’m sure my last two years could never be the same if I was not in Couch Surfing project. And, probably I would not be here writing about this trip to you all.
When people ask me how I decided my itinerary, I always answer: by “people”. By people I met, and people I will meet. If I love a place of India, and people make me stay, I don’t car if I’m not going to see the Taj Mahal. Who I’m going to leave is “who” and not “what”. And I can say that this desire, it’s a Couch Surfing fault… With this habit to make us be contaminated by the energy and happiness of the citizens of this lovely world…


Do you still have doubts?
Its just send a comment and we can clarify! What is Couch Surfing, how to join, host, be a guest, join the communities and the events.