20 de jul de 2012

Índia, cheguei! De Delhi à Vrindavan

[English version below]

Aeroporto Internacional de Doha - Catar
Voei de Paris para Doha. Estava com receio do que fazer quando chegasse no Aeroporto Internacional de Doha, no Catar, pois era o primeiro lugar em que faria uma conexão e que eu talvez precisasse de algum visto. Mas fiquem tranquilos: voar pela Qatar Airways é simplesmente uma tranquilidade só. Não é necessário passar pela imigração para poder fazer a conexão. Os passageiros com a passagem com borda amarela, que era o meu caso, vão para uma área específica do aeroporto para pegar o próximo voo. Quem fica no Catar tem passagem de outra cor (azul) e vão com o ônibus do avião para o desembarque.
Passagem amarela,
para quem vai fazer conexão em Doha.
Aguardei meu voo para Índia, feliz da vida por que a internet nesse aeroporto é de graça. E de graça é uma ótima palavra quando você está num processo de segurar grana.
Peguei o voo para Delhi, que não é muito longe e no avião conheci um indiano que iria para uma cidade próxima a Delhi para agradecer ao seu Deus o emprego que ele tinha conseguido na Qatar Airways. El eperguntous e eu queria ir com ele e eu respondi: "por que não?".
Chegando na Índia, aquele medo normal de passar pela imigração. O cara do guichê perguntou se eu havia tomada a vacina de febre amarela, mostrei o cartão internacional grampeado no final do meu passaporte, ele olhou o visto e carimbou minha entrada (confira maiores informações sobre visto para Índia no post Entre Vacinas, Vistos e Vacas - Parte 2)
Minha tentativa de arrumar uma
roupa pra ir visitar os templos.
O Aeroporto Internacional Indira Gandhi é uma sutil mistura de organização com bagunça. Tinha um funcionário tirando todas as malas da esteira, enquanto obviamente a minha não vinha, a gente tinha que ficar olhando naquela montanha de malas se a nossa estava ali. Por fim encontrei minha mochila, fiz uma troca de libras e euros e saímos do aeroporto em busca de um taxi.
O destino era a estação de trem Nizamuddin, que fica uns 25km do Aeroporto. Essa estação é a que tem a maioria dos trens que vai sentido sul de Delhi, para as famosas cidades de Vrindavan (onde eu estava indo) e Agra (Onde fica o Taj Mahal).
Pegamos o taxi, e ao chegarmos na estação, como não tínhamos passagem, o meu então amigo indiano foi arrumar com o “jeitinho indiano” que sinceramente nada difere do nosso “jeitinho brasileiro”. Era umas 6:30 da manha quando entramos no trem de classe sleeper sentido Vrindavan.
No trem havia uma família, a propósito, várias famílias. Na nossa “cabine” tinha um casal jovem com uma neném e o que me parecia serem os pais da moça. Todos iam alegremente conversando em hindi e eu olhando pela janela.
Autorickshaw por dentro!
A estação de trem já havia sido um choque pra mim. Muito antiga, muito suja, com muita gente, pobreza, crianças pedindo dinheiro. Pela janela do trem via passar casas e mais casas que se confundiam com o lixo acumulado ao seu arredor. A falta de saneamento básico nos arredores de Delhi, obrigam os moradores a usar a beira da estrada como seus banheiros, e em 3 horas de viagem foi isso que ví pela janela daquele trem.
Chegamos a estação de Mathura, a mais próxima de Vrindavan. Mathura é uma das 7 cidades sagradas do hinduísmo, Vrindavan é onde acredita-se ser o lugar onde o deus Krishna cresceu.
E pela primeira vez entrei dentro do famoso autorickshaw, aqueles carrinhos engraçados de 3 rodas. Chegamos no hotel e passamos o dia inteiro visitando milhares de templos. A maior dica para essa cidade é a seguinte: segure seus óculos por que todos os macaquinhos vão tentar roubá-los de você! Eu estava com meu óculos de grau, e toda hora alguém me falava pra tirar. E eu ficava na cabeça pensando que um macaquinho míope ia arrancar ele de mim!
Com certeza o que rolou no primeiro dia foi aquele choque cultural dos mais tensos. Vrindavan é uma cidade muito pobre e extremamente religiosa. Toda a movimentação do local gira em torno dos templos. E lá é o lugar – segundo meu amigo indiano – onde você vai ver mais pavões na Índia. Existe uma estrada onde em cada árvore ficam diversos pavões gritando uns para os outros numa conversa magnífica da natureza.
E o melhor de tudo foi saber que onde tem um pavão, Krishna está lá...
No dia seguinte voltamos à estação de trem para retornarmos para Delhi e eu seguir o meu caminho inicial: Bangalore, no sul da Índia. E a frase que me marcou naquele dia foi dita pelo o indiano: “Demorei 23 anos da minha vida para pisar nesse lugar a primeira vez. No seu primeiro dia de Índia, você está aqui. Tenha certeza que não é a toa...”
Mal sabia eu, que depois de 54 dias me apaixonaria profundamente por esse país.



[English version]

India, I'm here! From Delhi to Vrindavan.


I flew from Paris to Doha. I was afraid of what to do when I arrived in Doha International Airport in Qatar. It was the first place that I would make a connection and that I might need a visa. But everything was ok: flying Qatar Airways is just restful. It is not necessary to go through immigration in order to make the connection. Passengers with a yellow border crossing, which was my case, go to a specific area of ​​the airport to catch the next flight. Who is landing in Qatar have another color (blue) and go with the bus to the landing place.
I waited for my flight to India, happy because the internet in the airport is free. And for free is a great word when you're in the process of saving money.
I took the flight to Delhi, which is not far from Doha and met an Indian who would go to a city near Delhi to thank his God that he had gotten a job in Qatar Airways. He asked if I would go with him and I answered: “why not?”
I arrived in India, with that normal fear to pass through immigration. The guy at the counter asked if I had taken the yellow fever vaccine, and I showed the international card clipped at the end of my passport, he looked at the visa and stamped my entry (check out more information about visa for India in the post Between Vaccines, Visas and Cows - Part 2)
The Indira Gandhi International Airport is a subtle mix of organization and mess. It was an employee taking all the bags of the mat, we had to look at that mountain of luggage if our was there. Finally I found my backpack, I made an exchange of pounds and euros and we left the airport searching of a taxi.
The destination was the Nizamuddin railway station, which is about 25km from the airport. This station is the one that has most of the southbound train going from Delhi to the famous cities of Vrindavan (where I was going) and Agra (Where is the Taj Mahal).
We took the taxi, and arrived at the station,we didn’t have tickets, then my Indian friend found some in an "Indian way" which honestly no different from our "Brazilian way". It was 6:30 in the morning when we entered in the sleeper class of the train to Vrindavan.
On the train there was a family, by the way, several families. In our "cabin" was a young couple with a baby and what seemed to be the girl's parents. All were chatting in Hindi and I was looking out the window.
The train station had been a shock to me. Very old, very dirty, with many people, poverty, children asking for money. Through the window of the train I saw passing through houses and more houses that could be confused with the garbage around. The lack of sanitation around Delhi, forcing residents to use the roadside as their bathrooms, was what I saw for the 3 hours trip.
We reached Mathura station, the closest of Vrindavan. Mathura is one of the seven sacred cities of Hinduism, and Vrindavan is believed to be the place where god Krishna grew up.
For the first time I enter in the famous autorickshaw, those funny three wheeled cars/taxis. We arrived at the hotel and spent the day visiting thousands of temples. The biggest tip for this city is as follows: hold your glasses! All monkeys will try to steal them from you! I was with my glasses, and every time someone told me to take it out. And I was thinking that a shortsighted monkey would take it from me!
Certainly what happened in the first day was a culture shock. Vrindavan city is very poor and very religious. Everything there happens around the temples. And there is the place - according to my Indian friend - where you will see more peacocks in India. There is a road where every tree has many peacocks screaming at each other in magnificent conversation of the nature.
And best of all was knowing that where there is a peacock, Krishna is there ...
The next day we returned to the train station to return to Delhi and I follow my way: Bangalore, southern India. And the phrase that struck me that day was told by the Indian: "It took me 23 years of my life to step into this place the first time. On your  first day in India, you're here. Make sure, it’s not just an accident... "
I would never know that after 54 days I'd fall deeply in love with this country.