28 de ago de 2012

Bangalore: meu lar na Índia.

 [English version below] 

Vista da cama de cima do trem.
Entrei naquele trem com um cansaço que não cabia dentro de mim. Após as diversas horas esperando na estação de Delhi, num estilo bem indiano (dormindo num canto qualquer em cima da minha mochila), deitei naquela cama que era no alto das demais e dormi. Por horas a fio. O trem demoraria 40 horas para chegar em Bangalore. Eu tinha comprado uns biscoitos pois não sabia como funcionava para comer, afinal são 2 dias sem parar viajando.
Preparando uma pseudo-caipirinha
Misturando Índia, França, Camarões e Brasil!
Lá descobri que é possível fazer pedido para a cozinha, e você paga na hora que a refeição chega. Além disso, durante todo o dia (exceto a noite) passam vendedores ambulantes vendendo o famoso chai e comidinhas.
A comunicação foi escassa nesse momento. A família que estava dividindo o espaço comigo aparentemente não falava inglês. Os homens sempre bem sérios e as mulheres mais dóceis.
Passei a viagem lendo, escrevendo em meu computador (sim, tem energia dentro do trem) e dormindo. Quando o horário de chegada foi se aproximado, fiquei bem alerta pois já havia percebido que não existe nenhum anúncio de que chegou em determinada estação. Eu sabia que deveria descer em Bangalore City, mas Bangalore possui mais algumas outras estações. Nesse momento descobri que Bangalore city é a última estação que o trem vai.
Cheguei em Bangalore e liguei para o meu amigo que é indiano. Perguntei a ele quanto custaria o autorickshaw até a casa dele, e ele disse em média 150 rúpias. E muito claro: não pague mais de 200 rúpias. Saí da estação e veio aquela chuva de motoristas gritando (literalmente): “taxi, madam?” Fui perguntando quanto era até o bairro que queria ir (Indira Nagar) e uns falavam 600, outros 500. Até que, como estava muito cansada, consegui um por 300. Fui. Cheguei na casa do Anush e nem acreditei que depois de 2 anos, depois de ter hospedado ele pelo Couchsurfing na minha casa em 2010, eu estava na Índia, na casa dele. Logicamente eu descobri que as 300 rúpias era demais para a viagem e ele me explicou sobre os lugares de taxi pre pagos.
Meus primeiros dias em Bangalore foram para descanso. Saímos para algumas festinhas, despedidas, aniversários, almoços maravilhosos. Foi tempo de arrumar as coisas para continuar indo para o sul, próximo destino: Kerala.
Comendo a tradicional comida
do sul da Índia (sem talher!) 
Antes de ir, conversando com o roommate do meu amigo, fiquei sabendo sobre um curso de meditação chamado Vipassana. Segundo ele era uma experiência muito boa, num curso de 10 dias em silêncio  para aprender uma técnica de meditação. A ideia era ótima. Além de eu nunca ter feito nada parecido, precisava de uns dias em silêncio. A propaganda dele foi tão boa com a frase: “todos devem fazer uma vez na vida”, que me convenceu sem muito esforço. No mesmo dia me inscrevi. Passaria então uma semana no sul e voltaria para Bangalore para poder fazer o tal curso.
Decidi ir para Kerala de ônibus, tinha um que saía do bairro onde eu estava. Arrumei minhas malas, tirando o desnecessário e deixando em Bangalore. Naquela altura já tinha reparado quanto coisa inútil a gente insiste em carregar. Anush me levou no ponto e eu parti. Meu Couchsurfer Host e uma nova aventura me esperavam.


[English Version]

Bangalore: my home in India.


I entered in that train very tired. After spending a long time waiting in Delhi train station, with Indian style – sleeping on my bag in whatever corner – I laid in in the upper bed and slept. For hours and hours. The train would take 40 hours to arrive in Bangalore. I had bought some biscuits because I didn’t know how things work inside the train to eat, I would spend 2 days inside the train, nonstop.
There I discovered that it’s possible to request a meal and you pay when the food arrives. And during the day there are some guys selling the famous chai and some snacks.
The communication was restricted at this moment. The family in the same space that I was, apparently didn’t speak English. The man were always serious and the woman sweet.
I spent my trip time reading, writing in my computer – yes there is energy inside the train – and sleeping. When the arrival time was coming, I start to pay attention, cause I had already noticed that they do not announce the stations. I knew that I had to stay in Bangalore City station, but Bangalore has some others stations. At that moment I discovered that Bangalore City is the last one of the train.
I arrived in Bangalore and I called to my Indian friend. I asked him how much the auto rickshaw is until his house and he said around 150 rupees. And he was very clear: do not pay more than 200. I went out the station and a lot of drivers came in my direction, screaming (literally): “Taxi, madam?” I start to ask how much would cost until the neighborhood I had to go (Indira Nagar). Some said 600 others 500. And in the end I was so tired that I got the one for 300. I went to Anush’s house and I couldn’t believe that after 2 years, after hosting him in my house in Brazil in 2010 through Couch Surfing, I was meeting him again in his house. Obviously I discovered that 300 rupees was too much, and he explained to me how to take the pre-paid taxi.
My first days in Bangalore were just to rest. We went out to some parties and events, and wonderful lunches. It was the time to continue packing my stuff to the south destiny: Kerala.
A typical green auto rickshaw
Before going, talking to my friend roommate, I knew about a meditation course called Vipassana. He said that it was an amazing experience, with 10 days in silence to learn a meditation technique. The idea was great. I never had done something similar, and I needed some days in silence. He convinced me easily with the phrase: “everybody should do it once in life”. In the same day I did my registry. I would spend 1 week in Kerala and come back to Bangalore to do the course.
I decided to go to Kerala by bus, and I found one with Indira Nagar departure, 2 streets from the place I was. I packed my stuff, putting out the unnecessary and leavin in Bangalore. At that time I had already noticed how many no useful things we insist to carry. Anush went to the bus stop with me and I left. My Couchsurfer host and a new adventure were waiting for me.