17 de dez de 2012

E o sol se põe no Mediterrâneo

[English version below]

Enfim cheguei no Egito, com o objetivo de fazer um intercâmbio pela AIESEC na área de ensino. Apesar de nunca ter atuado nessa área, sempre tive o sentimento de que pertencia a sala de aula. Seria algo totalmente novo estar na frente de crianças tão pequenas para poder ensinar inglês. Mas acho que é exatamente o desafio que me atrai.
Após minha saga sem fim até chegar na Alexandria, eu vi o lindo mediterrâneo pela primeira vez na vida e subi as escadas de um prédio bem velho para encontrar com a minha então nova companheira de casa, no apartamento provisório – que deveríamos ficar até que os outros moradores da nossa casa chegassem no Egito.
Hoje eu brinco com ela que quando ela abriu a porta estava com um sorriso enorme no rosto – só que ao contrário – e quando eu disse “ooooi”, ela respondeu com um grunhido! Hahahaha Era a primeira vez que via a Jessica, a equatoriana/americana, hoje a minha irmãzinha mais nova no Egito.
Dormi um sono profundo, num apartamento imundo e barulhento, na beira da famosa “Corniche”, a avenida beira mar da Alexandria. Mais tarde conheci o Pablo, um colombiano que também estava fazendo um intercâmbio. E vi o pôr-do-sol mais lindo do mundo, que nem sabia que me apaixonaria a cada dia mais por apreciá-lo.
Os primeiros dias foram estranhos como sempre são. A adaptação à um lugar novo e tão diferente era o próximo passo. Jessica ainda sofria do choque da primeira viagem, e de fato o Egito não é tão fácil assim. É um país islâmico, a maioria das mulheres andam com seus cabelos cobertos, nós temos que tomar cuidado com o que usamos na rua, e não são todas as pessoas que falam inglês. Ainda assim, a comunicação é totalmente possível, já que mesmo com todo o sotaque do mundo, todo egípcio sabe pelo menos dizer meia dúzia de palavras.
Na mesma semana, a pessoa da AIESEC responsável pela nossa vaga aqui, nos levou até a escola que trabalharíamos. Por sorte, eu e Jessica ensinaríamos no mesmo lugar. Entramos no carro, e parecia que o lugar nunca ia chegar. O que passava pela minha cabeça e na dela era “Meu Deus! A gente chega no Cairo mas não chega nessa escola!”. Por fim, estávamos em um lugar que mais parecia uma outra Alexandria, chamado Agamy.
Eram duas escolas da mesma família, quase uma do lado da outra. A Jess foi para a maior, com estudantes de todas as idades. Eu fui para a menor, e que era super nova. Uma escola somente para meninas, do pré até o Junior 3, o que no Brasil significa o 3º ano, ou a antiga 2ª série do ensino fundamental.
Começaríamos a trabalhar no domingo. Sim! Domingo! Aqui os dias da semana são os mesmos, mas os dias de trabalho não. Trabalhamos de domingo à quinta-feira, com folga na sexta e no sábado.
Entre almoços com um arroz que não chegava nem perto do da minha mãe, algumas voltas pela cidade e conhecendo algumas novas pessoas, o primeiro dia de trabalho chegou rápido assim como a vida como uma cidadã no Egito – eu já não era uma turista.

Aconteceu em 09/2012

[English version]

And the sun sets over the Mediterranean 

Finally I arrived in Egypt with the purpose of making an exchange by AIESEC in education. Despite never having worked in this area, I always had the feeling of belonging to the classroom. It would be something totally new be in front of so young children and teach English. But I think that is exactly the challenge that attracts me.
After my endless saga to arrive in Alexandria, I saw the beautiful Mediterranean for the first time in my life and climbed the stairs of a very old building to find my new roommate, the provisional apartment - we should stay until the other interns arrive in Egypt.
Today I joke with her that when she opened the door, it was a huge smile on her face – but not! ahahahha - and when I said "hiiiii," she replied with a grunt! Hahahaha It was the first time I saw Jessica, the Ecuadorian/American, today my younger sister in Egypt.
I slept a deep sleep in a filthy and noisy apartment, on the edge of the famous "Corniche", the seaside road of Alexandria. Later I met Pablo, a Colombian who was also doing an internship in Egypt. And I saw the most beautiful sunset in the world, which I did not know I'd fall in love every day more for appreciating it.
The first few days were weird as always. Adapting to a new and so different place was the next step. Jessica was still suffering from the shock of her first trip, and indeed Egypt is not so easy. It is an Islamic country, most women walk around with their hair covered, we have to be careful with what we use on the street, and it’s not everybody that speaks English. Still, communication is entirely possible, since even with the strong accent, every Egyptian knows at least how to say a few words.
In the same week, the AIESEC person responsible for our job here, took us to the school that we would work. Luckily, Jessica and I would teach in the same place. We got into the car, and it looked like we would never arrive. What was going through my head and in hers was: "My God! We arrive in Cairo but not in that school”. Finally, we were in a place that looked like another Alexandria, called Agamy.
There were two schools of the same family, almost side by side. Jess went to the biggest, with students of all ages. I went to the smaller, and it was a new one, first year of activities. A school for girls only, from pre-kindergarten until the Junior 3 (around 8 years old girls).
We would start to work on Sunday. Yes! Sunday! Here the days of the week are the same, but the work days not. We work from Sunday to Thursday, with Friday and Saturday off.
Between lunches with rice that was not even close to my mom’s one, a few walks around the city and meeting some new people, the first working day arrived quickly as the life as a citizen in Egypt - I was no longer a tourist.

Happened in 09/2012