2 de mai de 2013

[Eat Falafel] Kharga, Farafra e as surpresas do caminho

[English version below]

Logo que descemos do ônibus um taxista nos informou que não conseguiríamos chegar em Farafra naquele mesmo dia pois o único ônibus da noite já havia saído. A missão era então encontrar um lugar para dormir e continuar o caminho.
Chegamos então em um dos hotéis que tinha na cidade quando um senhor e seu filho vieram nos atender. Não me lembro quanto eles cobraram pela noite para o quarto triplo mas era algo de dar risada. Explicamos que morávamos no Egito e que não éramos bem os turistas que eles imaginavam. Depois de muita choraminguela, fomos comer no restaurante no primo do cara do hotel que na teoria era barato e acabou cobrando vários dinheiros. Mas tudo bem.
O cara insistiu em dizer que não íamos de jeito nenhum encontrar hotel mais barato do que aquele. Duas ruas depois, lá estávamos nós num hotelzinho economizando dinheiro. Essa mesma pessoa começou de forma maçante tentar nos vender um tour para o deserto. Queríamos ir para o deserto branco e negro, ambos muito mais próximos de Farafra, o outro oásis.
Ele queria cobrar para n´s três 1200LE. Isso era demais. Ele disse que íamos encontrar com o primo dele em Farafra e que o tal primo não queria abaixar o preço. Por fim fomos por 700LE. Sendo que 350LE deveriam ser pagos a ele, antecipado.

Ele definitivamente não gostou da gente. Disse que a gente era “estranho” e por isso não nos acompanharia na viagem. Contratou um cara pra levar a gente até Farafra num carro... Exótico! E demos 50LE para o motorista (arte do total de 700).
A ida demorou demais, não conseguiríamos chegar nos desertos ainda aquele dia. Queríamos terminar a noite em Baharyia. Ao chegar em Farafra eu queria matar o tal primo do cara. Afinal, na teoria era ele que queria sugar nosso dinheiro.

Quando chegamos, Osama, um gentil cara que não falava quase nada de inglês nos recebeu. Para minha surpresa era ele o tal primo. Já havíamos chegado a conclusão que deveríamos passar aquele dia em Farafra.
Ele nos levou até um buraco em uma duna, que tinha um cercadinho e alguns tapetes: sim estávamos no meio do deserto. Olhávamos um pro outro e pensávamos: onde fomos amarrar nossos jegues? As horas foram passando e surgiu um almoço gigante pra gente. Não entendemos nada, pois na negociação com o cara, a comida não estava incluída.
Após muito tentar comunicar com o Osama, conseguimos acessar a internet na vila da cidade e fomos jantar em um lugar que nos cobrou mais de 100LE por uma janta que deveria ser 30LE. Essa história de dinheiro estava mais do que nos maltratando. Todo lugar no Egito passávamos raiva com isso.

Osama se meteu na briga da gente com o dono do restaurante, e acabou até pagando parte da conta. Daí vimos: esse cara não quer nosso dinheiro, como o primo dele deu entender em Kharga.
Antes de voltarmos para a duna, paramos na casa do amigo do Osama, onde estavam vários outros homens e a esposa grávida. Todos juntaram seus instrumentos e fomos para o deserto. Ao som de música beduína, a noite seguiu e aquilo tudo ainda parecia um sonho.

Aconteceu em 01/2013

[English version]

[Eat Falafel] Kharga, Farafra and some surprises on the way

A taxi driver informed us we could not arrive in Farafra that same day, the last bus just left minutes before we asked him. We had to find a place to stay that night.
The first place visited, an old man and his son received us. I cannot remember how much they charged us for that but for the triple room I know we just laughed. After explaining we were living in Egypt and we were not the tourists he thought, they were not flexible and we decided to eat. He indicated his cousin restaurant supposedly cheap. We spent much more, but it was fine.
The old man son insisted we would never find o cheaper place to stay. Two streets later, we were saving money in a cheaper hotel. This person tried to sell us a tour to the desert. Our wish were the Black and White Desert, both close to Farafra Oasis.
He charged 1200LE, a lot for us. He said his cousin we gonna meet in Farafra didn’t want to reduce the price, but in the end was for 700LE. We should pay 350LE to him, ahead.
He didn’t like us. He said we were strange and for this reason, he didn’t want to go with us so he asked a man to drive us until Farafra in a car…  Exotic! We gave 50LE to the driver - included in the total.
When we got there, Osama, a gentle man who almost does not speak English received us. I was surprised when I knew he was the cousin. At that time, we concluded we should spend the day in Farafra.
He took us to a “hole” into a dune, with some mats: yes, we were in the middle of the desert. Looking each other, our thoughts were: what am I doing here!? Time passed and the lunch came. We did not understand, the food was not included.
After trying to comunicate with Osama, we got some internet access in the village and we went to a place to eat that charged us more than 100LE for something was probably 30. This money subject was killing us. All places in Egypt it was something to worry about.
Osama helped us in our discussion with the restaurant owner and in the end he helped us to pay the bill. So we noticed: this guy doesn’t want our money, like his cousin was trying to convince us in Kharga.
Before going back to the dune, he took us to his friend house where some other man were and his wife pregnant. All took their instrument and went to the desert. Listening to the Bedouin music, the night passed and all that things were still like a dream. 

Happened in 01/2013