6 de dez de 2012

Egito: Chegou a vez de dar um alô para Alexandre, o grande!


[English version below]

Cheguei no aeroporto do Cairo, no Egito e precisava saber a respeito do visto. Eu tinha a opção de tirar o visto no Brasil, mas um amigo meu que recentemente esteve no Egito disse que não tinha mistério nenhum em fazer isso no aeroporto. Obviamente é bem melhor já chegar com tudo pronto. Mas além de ser mais barato comprar o visto lá – sim, o que você vai fazer é uma compra – depois da revolução de 25 de Janeiro o turismo foi muito abalado. E é claro que o Egito não quer perder turista.
Seguro viagem oriente medio 468x60

A mulher que eu havia ajudado em Amsterdã já tinha visto, mas como era a primeira vez que atravessava uma fronteira para entrar em um país, ela estava perdida e bem assustada. Mostrei pra onde ela deveria ir, e segui rumo ao guichê de Exchange que existe antes de passar pelo controle de passaporte. Lá comprei meu visto por 15 dólares, um adesivo que eu mesma colei no meu passaporte. O visto no Brasil pode sair até 4 vezes mais do que isso, se você não morar perto da embaixada (Brasília) ou consulado (Rio de Janeiro) do Egito e tiver que mandar seu passaporte pelo correio.
Carimbaram meu passaporte e eu já estava no Egito oficialmente. Garanti que a mulher que estava comigo encontrasse com a pessoa responsável por leva-la para o hotel. Eu disse para o homem cuidar bem dela, e a única coisa que ela respondeu para ele foi: “Angel, angel. My angel.”
Peguei minha malinha e saí esperando que alguém estivesse lá para me buscar. Não vi ninguém segurando plaquinha com meu nome e fui correr atrás de conseguir ligar para a pessoa da AIESEC responsável por mim. Eu já sabia da possibilidade de telefone público ser precário no Egito, depois das experiências na Índia e no Marrocos. Dito e feito. Fui até o balcão de informações em busca de internet e para minha surpresa o aeroporto não tinha rede disponível. A pessoa me informou que talvez tivesse em outro terminal, mas não queria ficar perambulando 2 horas da manhã em um lugar totalmente desconhecido.
Voltei para o balcão e ele arrumou um telefone para eu poder ligar. Depois de algumas ligações, consegui falar com uma pessoa na Alexandria, e ele me informou que a pessoa que ia me buscar já estava no aeroporto. Devolvi o celular para a servente – sim, o telefone era dela – e dei uma moeda de 2 euros que tinha na bolsa. Eu sabia que era bastante coisa, hoje vivo 3 semanas ou mais com 2 euros de crédito. Mas queria também recompensar a gentileza.
Encontrei com um AIESECer do Cairo e seu amigo. Fomos em busca de um lugar para pegar ônibus para Alexandria – meu destino final. Não conseguimos nada e soubemos que o próximo ônibus só às 6 da manhã. Fomos pra casa do amigo do AIESECer esperar o sol nascer e ir para a estação. Chegando lá compraram minha passagem pela bagatela de 20 LE (menos de 3 euros). O ônibus era bem simples, mas para uma viagem de 3 horas estava ótimo – já tinha passado por muita coisa mais complicada. Com muito zelo me colocaram dentro do ônibus, e eu sou extremamente grata a esses dois por toda ajuda.
Coincidências da vida ou não, no ônibus encontrei o homem que estava sentado do meu lado no voo. Ele havia me oferecido ajuda para ir para Alexandria e eu respondi que já tinha gente para me buscar. Mas no ônibus não sabia qual era meu assento porque os números estavam escritos em árabe, e até então eu não sabia lê-los.
Parti para a terra de Alexandre o grande, muito cansada e dormi durante toda viagem, enquanto a música árabe do ônibus – que depois fui descobrir que eram orações – me deixava fechar os olhos.
Dois dias depois de ter saído do Brasil, descia do ônibus na Alexandria, a cidade que seria a minha casa pelos próximos 5 meses.

Aconteceu em 09/2012

[English version]

Egypt: Time to say hello to Alexander, the great!

When I arrived in Cairo Airport, in Egypt, I needed to know about a place to get the visa. Even with the option to take the visa in Brazil, a friend who recently was in Egypt told me it’s easy to get it in the airport. Obviously it’s better when you arrive with everything ready, but it’s cheaper to buy the visa in the airport –yes, you will buy it – and after the 25th January revolution the tourism decreased a lot in Egypt. Of course, they don’t want to lose tourist.
The woman I helped in Amsterdam took her visa in Brazil, but it was her first time to cross a board to enter in a country and she was scared. I showed her where she should go, and went to an exchange place there is before passing the passport control. The cost is 25 dollars and it’s a sticker you can stick by yourself on your passport. In Brazil the visa can be even 4 times more expensive than that.
They stamped my passport and I was in Egypt officially. I wanted to be sure the woman found the person responsible to take her to the hotel. I told him to take care of her and the only thing she answered to him was “Angel, angel. My angel.”
After take my luggage I was waiting to have someone outside but there was no one holding my name. So, the first thing was try to call someone from AIESEC to know what was happening. I already knew about the possibility of no public telephone after my experiences in Morocco and India. I went to the information counter and he said there is no internet access in the airport, and maybe I could find in other terminal, but I didn’t want to walk around in a place I don’t know at 2AM.
I came back to the information guy and he got a cellphone to me. After some calls I talked to the guy in Alexandria and he said the guy was already there to pick me up. I gave back the cellphone to the cleaner – yes, the cell was hers – and gave her a coin of 2 euros that I had in my bag. I knew it was too much, if I put 2 euros of credit today, I can live 3 weeks or more. In that case, I really wanted to gratify the kindness.
A Cairo AIESECer and his friend were waiting for me. We tried to find a place for me to take the bus to Alexandria – my final destination. We didn’t find it because it was in the middle of the night, and there were buses only from 6 AM. We went to the AIESECer friend place and waited the sunrise and went to the bus station. They bought my ticket for 20LE (less than 4 dollars). The bus was simple and for a 3 hours trip it was good – after all the transportation that I already got in life! They put me in the bus very carefully and I’m really glad to found them on my way, for all help and reception.
Coincidences of life or not, in the bus I met the same man that was by my side in the flight. He offered to help me to go to Alexandria, and I answered that I already had people to pick me up. But in the bus, I didn’t know where to sit because the numbers were in Arabic and until that day I didn’t know how to read it.
I went to Alexander the great land, very tired and I slept the entire trip, while the Arabic song – that later I discovered it’s actually prayers – let me do it.
Two days after leave Brazil, I was in Alexandria, my city for the next 5 months.

Happened in 09/2012