18 de dez de 2012

[25 Things] Lápis, papel e mais de 100 meninas.

[English version below]

Cheguei no Egito, como eu disse, através da AIESEC para ensinar inglês para meninas em uma escola regular, do pré até o 3º ano fundamental. Entrar na sala de aula é uma coisa grandiosa, principalmente quando se trata da educação inicial de seres humanos tão pequeninos. Com meninas que variam de 2,5 anos até 8, meu medo era a comunicação, tendo em vista que meu árabe que hoje é de sobrevivência, na época não chegava nem perto disso.
No começo eu estava com as meninas maiores, de 6 à 8 anos, e já achei complexo por que elas olhavam para mim como quem entendia tudo o que elas diziam, até a professora explicar para elas: “Miss Tai não fala árabe”. Esse lace de “Miss Tai” também era um tanto divertido, pois enquanto no Brasil na pré-escola chamam os professores de “tia” e depois disso passam a chamar de professor, no Egito se chama de “senhora”.
A primeira semana passou, pude fazer uma amizade de ouro com uma das professoras de inglês do Juniors. Porem, meu objetivo principal eram as aulas no jardim de infância. Se com as meninas maiores era difícil, imagina com as menores? Até que o dia chegou, foi aquela choradeira de começo de ano de todo jardim de infância e os gritos de “ana auza mama” – nada mais do que “eu quero a mamãe”.
No começo a gente não sabe ao certo como se comportar, o que fazer. Com o tempo minha função na escola ganhou forma e eu era responsável por focar na parte de repetições e exercícios orais como: novo vocabulário, ler histórias, ensinar maneiras e etiqueta. Mas durante o tempo em que outras atividades eram aplicadas, eu sentia a vontade de fazer parte, de ajudar. Nunca fui funcionária de uma tarefa só, mas era mais do que isso.
Tive o prazer e a oportunidade de ver as meninas pegarem no lápis para escrever pela primeira vez. O contorno da letra “a”, entre as duas linhas era desajeitado. Às vezes era difícil fazer com que me entendessem quando dizia “between the two lines” – entre as duas linhas. Mas a cada dia era melhor, via cada letra ser escrita de uma melhor forma. E elas aprendiam a se comunicar em inglês –e consequentemente comigo – e eu aprendia a entendê-las, ama-las e querer fazer do meu momento ali o melhor que podia.
Com uma metodologia baseada no ensino da fonética de letra por letra, em 3 meses já tinham meninas lendo algumas coisas. Aos 4 anos de idade era possível formar palavras, enxergar significados. Jamais vou esquecer o rostinho de uma das minhas meninas quando leu “cat” – gato – pela primeira vez e viu que aquilo significava o mesmo que a imagem de um gato que a professora havia desenhado ao lado.
Passei alguns dias junto com as meninas mais velhas também, mas acho que a minha paixão na verdade eram as pequenas. Elas precisavam de tão pouquinho para serem felizes ali! E sem tirar que a escola era linda, gerenciada por uma mulher extremamente capacitada e dócil. Me sentia em casa e a cada dia um pouco mais parte de tudo.
Toda manhã me juntei ao hino nacional do Egito, e algumas vezes tinha lágrimas nos olhos pois nunca achei que seria tão acolhida em um país a ponto de me sentir como um pedacinho dele.
Das 25 coisas que pretendo fazer até os meus 25 anos, ensinar alguém a ler/ escrever excedeu as expectativas: o “alguém” virou uma escola inteira. E mesmo que elas não se lembrem de mim amanhã, as terei no coração por toda uma vida. Sem a oportunidade de vê-las crescer, a maravilha vai ser tê-las pra sempre crianças em meu coração.

Aconteceu entre 09/2012 e 12/2012

[English version]

[25 Things] Pencil, paper and more than 100 girls.

I came to Egypt, as I said, through AIESEC to teach English to girl in a regular school from pre KG until Junior 3. Enter in a classroom it’s a big thing, especially when we are dealing with primer education of so small human beings. With kids that are 2,5 to 8 years old, I was afraid about how to communicate, considering that my Arabic – today sufficient only to survive – at that time was even close to that.
In the begging I was with the oldest kids, from 6 to 8 years old and I found already complex cause they use to look at me like I understood everything they were saying, until the teacher come and say “Miss Tai can’t speak Arabic”. This was a little funny cause while in Brazil in this age they call the teachers “aunt” and after they start to call “teacher”, in Egypt it will be always “miss”.
The first week passed and I met a new gold friend, one of juniors teachers. But, my main objective was the kindergarten classes. If with the biggest girls was a little difficult, can you imagine with the smallest? The day came, and it was a lot of kids crying like all kindergarten begging and the “ana auza mama” shouting – nothing more than “I want mom”.
When we start we never know how should be our behavior. In some weeks my function in the school was more evident and I was responsible for all the repetitions and oral exercises like: new vocab, read stories, teach manners and etiquette. While the other activities were happening , I felt the will to do something else, help. I’m a multitask person, but it was more than that.
I had the pleasure and opportunity to see the girls taking the pencil for the first time. The letter “a” format between the two lines wasn't good. Sometimes it was difficult to make them understand when I was saying “between the two lines”, but each day was getting better. We could see every word being written in a better way. They were learning how to communicate in English and I was learning how to understand and love them, doing my best at to that moment.
With a methodology based on teaching letter by letter phonetic, in 3 months we had already kids reading some things. 4 years old and it was already possible to construct words, understand meanings. I will never forget one of the girls face when she read “cat” and for the first time saw that that letters had the same meaning of the cat picture the teacher draw by the side of the word.
I spent some time with the oldest girls, but I felt in love with the KG. They need almost nothing to be happy there! And the school was gorgeous, managed by a woman totally skilled and sweet. I felt at home and each day a little bit more part of all.
From the 25things I intend to do until turning 25 years, teach someone how to read/ write exceeded the expectations: the “someone” turned to a full school.  And even they don’t remember me tomorrow; I’ll carry them in my life forever. Without the opportunity to see the girls growing, it will be marvelous to have them always as children in my heart.

Happened between 09/2012 and 12/2012